Entrar Registrar

Acesse sua conta de usuário

Nome de usuário *
Senha *
Lembrar de mim

Criar uma conta

Todos os campos marcados com asterisco (*) são obrigatórios.
Nome *
Nome de usuário *
Senha *
Verificar senha *
Email *
Verifar email *

Editorial Amazônia

Amazônia

Arara em extinção é devolvida ao Brasil após ser contrabandeada para a Argentina

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

A ave chegou nesta quarta-feira (5) ao país pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos às 10h e passará por quarentena em São Paulo antes de ser levada para um criadouro científico em Minas Gerais

Um macho de arara-azul-de-lear, espécie ameaçada de extinção, foi devolvido ao Brasil após ser contrabandeado para a Argentina. A ave chegou nesta quarta-feira  (5) ao país pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos às 10h e passará por quarentena em São Paulo antes de ser levada para um criadouro científico em Minas Gerais.

Segundo Murilo Reple Penteado Rocha, superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis em São Paulo, a arara foi encontrada pela autoridade argentina com um comerciante ilegal em 2007. Após ser apreendida, a ave ficou em um zoológico em Buenos Aires até o final do julgamento do crime ambiental pela justiça argentina.

O superintendente explica que esta arara não poderá ser devolvida à natureza, mas servirá para a reprodução. “Existe um programa no Ministério do Meio Ambiente para a conservação da espécie. A vida de um exemplar é importante porque a ideia é aumentar a população [de arara-azul-de-lear]”.

A arara-azul-de-lear vive na caatinga, na região do Raso da Catarina, nordeste da Bahia. Foram catalogadas 1.358 aves dessa espécie na natureza brasileira. O tempo de vida estimado é 50 anos. Suas principais ameaças são destruição do habitat, da palmeira licuri, que serve de alimento, e o tráfico de animais silvestres.

O acordo entre Brasil e Argentina foi possível, pois os países são signatários da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Flora e da Fauna Selvagens Ameaçadas de Extinção, que controla o comércio de fauna e flora silvestres.

Curta nossa página no Facebook

O mundo desconhecido das Savanas Amazônicas

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

Artigo publicado pela revista científica internacional Nature aponta a falta de informações sobre esse bioma amazônico

onça
Foto: ICMbio

Com uma área de 267.164 quilômetros quadrados, as savanas amazônicas continuam sendo um bioma ainda inexplorado e que tem sofrido grandes impactos da ação do ser humano. Aproximadamente 90% da Savana amazônica se encontra na Bolívia e no Brasil, com pequenas áreas na Venezuela, Guiana e Suriname. Segundo artigo da Nature, a biodiversidade das savanas amazônicas pode ser perdida antes que seja conhecida, a menos que cientistas, conservacionistas e políticos se unam rapidamente para protegê-la.

As savanas amazônicas são de particular importância para a conservação, sendo o lar de uma flora e fauna únicas, com comunidades compostas de savanas e espécies florestais, incluindo numerosas endemias. No entanto, esses biomas têm sido pouco estudados em relação ao Cerrado e Llanos.

Os pesquisadores encontraram apenas 136 estudos das savanas amazônicas ao longo dos últimos 80 anos. Destes estudo, quase um terço foram de plantas, mas quase nenhum de anfíbios e peixes. A grande maioria foi realizada total ou parcialmente no Brasil, principalmente em institutos próximos a cidades como Manaus, Santarém e Boa Vista.

Impacto

A falta de pesquisas sobre esses biomas os deixa desprotegidos de leis que poderiam manter esses espaços. Por exemplo, o plano internacional para priorizar áreas de conservação da onça-pintada (Panthera onca) em todos os habitats dentro de sua área não incluiu áreas de savanas amazônicas. Isso porque, segundo os pesquisadores, não há pesquisas sobre o estado de onças pintadas nesse bioma.

Segundo os pesquisadores do artigo apenas 36,8% do savanas estão em alguma área indígena ou de conservação permanente. “O Cerrado do Amapá, por exemplo, apesar de ser reconhecido como uma prioridade de conservação muito alta para o Brasil, é o menos protegido dos principais complexos da savana amazônica”, afirma os pesquisadores.

O artigo afirma que atualmente a savana amazônica tem sofrido uma crescente pressão da produção de soja, arroz e outros grãos. A pecuária extensiva e a alta frequência de queimadas também são outros fatores ameaçadores para essas savanas. A construção de rodovias podem aumentar o desmatamento. “De fato, com exceção das savanas da Guiana, as redes rodoviárias em torno das principais savanas amazônicas permanecem pouco desenvolvidas e, sem dúvida, a falta de boas infra-estruturas tem, até agora, agido para protegê-las do desenvolvimento”, finaliza o artigo.

Por: Isaac Guerreiro
Fonte: Portal Amazônia

Curta nossa página no Facebook

A Máfia do Desmatamento: A saga da Famiglia Vilela, os maiores pecuaristas e destruidores de florestas do Brasil

Avaliação do Usuário

Estrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativaEstrela inativa

desmatamentoDesde 2010 as “damas do agronegócio” reúnem-se mensalmente na sede da Sociedade Rural Brasileira na cidade de São Paulo.  Entre as 23 integrantes do Núcleo Feminino do Agronegócio, participava a grande pecuarista Ana Luiza Junqueira Vilela Viacava.  Em 2012, ela declarou: “Gosto da terra e da segurança que ela me dá para o futuro”.  Quatro anos depois, Ana Luiza seria presa, acusada de grilagem.

A prisão da expoente do agronegócio nacional foi um desdobramento da Operação Rios Voadores, deflagrada em 30 de junho de 2016 com o objetivo de desarticular uma poderosa quadrilha de grilagem e desmatamento de terras no distrito de Castelo de Sonhos, município de Altamira (PA), às margens da BR-163.

O chefe da quadrilha era Antônio José Junqueira Vilela Filho, de 39 anos, conhecido como AJ Vilela ou Jotinha, irmão de Ana Luíza; o número dois do organograma era Ricardo Caldeira Viacava, seu marido. Jotinha agiu por anos até alcançar a marca de 300 km² desmatados em Castelo dos Sonhos, uma área quase 12 vezes maior que a ilha de Fernando de Noronha.

Este número faz de Jotinha “o maior desmatador individual já registrado na Amazônia desde que se iniciou o monitoramento das derrubadas”, segundo Juan Doblas, um dos autores do livro “Dono é quem desmata”, que tem um capítulo dedicado à grilagem dos Vilela Junqueira.

A Operação Rios Voadores custou dois anos de investigações, incluiu interceptações telefônicas e quebra dos sigilos bancário e fiscal da quadrilha e envolveu 95 policiais federais, 15 auditores da Receita Federal e 32 servidores do Ibama. Ao todo, foram cumpridos 24 mandados de prisão preventiva em municípios de Mato Grosso, Pará, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, além de outros 26 mandados de condução coercitiva ou de busca e apreensão, todos expedidos pela Justiça Federal de Altamira.

Contra Ana Luiza Junqueira Vilela Viacava foi emitida apenas uma ordem de condução coercitiva, que acabou não sendo cumprida porque ela estava em férias nos EUA. Porém, nos dias seguintes à operação, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça apuraram que, mesmo do exterior, ela comandou a ocultação e a destruição de provas contra o irmão e o marido, já preso, e outros membros da quadrilha. No retorno das férias, ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos (SP), em 4 de julho, Ana Luíza foi presa. Alguns dias depois, Jotinha, que estava foragido, se entregou à justiça.

A família

De família mineira radicada em São Paulo, AJ Vilela e Ana Luíza são filhos de Antônio José Rossi Junqueira Vilela, o AJJ, icônico pecuarista que estampa reportagens elogiosas nos principais jornais e revistas dedicados ao agronegócio. Os artigos enaltecem seu talento como criador de gado nelore e relatam as mordomias dispensadas aos animais premiados em suas fazendas. AJJ é citado como “um modelo de sucesso que traz lições para grandes e pequenos pecuaristas”.

Seus filhos são presença constante em colunas sociais e aparecem circulando sorridentes em vernissages, desfiles de moda e festas, entre empresários, estilistas, galeristas, modelos e outros nomes do jet set.

Os cenários da trama que levou AJ Vilela, Ana Luiza e seu marido, Ricardo Caldeira Viacava (de outra família de pecuaristas de igual vulto) à cadeia vão do Jardim Europa, bairro de elite em São Paulo, a Castelo de Sonhos, no Pará, passando por Nova York e pelo Caribe, em uma narrativa que conecta revistas como Vogue e Glamurama a publicações especializadas em pecuária.

AJJ pai, o caçador de fortunas

AJJ, o patriarca, começou suas atividades aos 20 anos de idade em Mato Grosso quando – assim como outros personagens dessa série – ganhou, em 1967, 10 mil hectares no até então inexplorado estado “e partiu em busca do sonho de ser um criador grande e respeitado”.

Nessa jornada, fez uma escala em Rondônia, onde se tornou dono da fazenda Yvypytã. Foi acusado de comandar um massacre de garimpeiros em 1983 e também citado no terrível extermínio de índios isolados na região da fazenda. Em uma investigação nunca concluída, suspeita-se que AJJ e outros dizimaram um grupo de índios não contatados, envenenado-os com arsênico misturado a açúcar e depois atacando-os com peões.

Foi em Mato Grosso que AJJ logrou se tornar “grande e respeitável”. O próprio conta para quem quiser saber que, em seus primórdios como pecuarista, promoveu extensos desmatamentos: “Comprei muita coisa em Mato Grosso quando as terras ainda eram baratas. O valor pago era simbólico. Coisa de um dólar por hectare. Então, eu comprava áreas grandes, abria a fazenda e depois vendia. Nesse período eu cheguei a ter 200 mil hectares”. “Abrir fazenda”, obviamente, significa desmatar e formar pastagens.

Em 2005, Vilela pai foi multado em R$ 60 milhões (valores de 2005) por desmatamento dentro do Parque Estadual do Cristalino, ostentando a maior multa já aplicada pelo estado de Mato Grosso até então.

AJJ jamais pagou a multa. Mais grave ainda, seguiu acessando recursos públicos por meio do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) – cerca de R$ 60 milhões –, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) – R$ 10 milhões – e do Banco da Amazônia – cerca de R$ 9,9 milhões.

O dinheiro seria usado para a construção de duas hidrelétricas dentro do Parque Estadual do Cristalino, a despeito das denúncias de diversas irregularidades na concessão das licenças da obra – inclusive a mais óbvia, o licenciamento de empreendimentos no interior de uma unidade de conservação.

O caso foi tratado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Pequenas Centrais Hidrelétricas na Assembleia Legislativa de Mato Grosso com acusações de que as licenças teriam sido obtidas com utilização de documentos falsos. A CPI ainda recebeu denúncias de que as licenças foram concedidas no marco de uma barganha política com o ex-governador de Mato Grosso e hoje ministro da Agricultura, Blairo Maggi, de cuja campanha AJJ teria sido um importante apoiador.

As obras das centrais hidrelétricas foram paralisadas, mas o gado da família de AJJ segue pastando dentro dos limites do Parque Estadual do Cristalino mesmo com processo e multas em andamento.

Jotinha, o herdeiro prodígio

AJ filho, o Jotinha, puxou ao pai. E o superou.

Embora não fosse tarefa fácil, AJ Vilela fez de seu pai um amador. Jotinha hoje pode se apresentar como a pessoa que acumula o maior valor em multas por crimes ambientais aplicadas pelo Ibama no país, totalizando mais de R$ 332 milhões.

AJ Vilela começou o desmatamento em Castelo dos Sonhos entre 2010 e 2011. O Ibama chegou a autuá-lo em cifras milionárias já em 2012, 2013 e 2014 (ver gráfico). As áreas desmatadas eram embargadas e, mesmo assim, AJ Vilela formava pastos, colocava gado e seguia com as derrubadas. Quando foi preso, mais de quatro anos após iniciar o desmate e ter dado fartas demonstrações de que não pararia, AJ Vilela já havia arrasado 300 km2 de floresta.

As cifras milionárias dos autos de infração aplicados a AJ Vilela não chegaram a um quinto do R$ 1,9 bilhão que ele movimentou entre 2012 e 2015 segundo dados do Ministério Público Federal (MPF). Ainda assim, o pecuarista não pagou as multas por crimes ambientais.

“Desde quando crime organizado paga alguma coisa?”, respondeu indignado Luciano Evaristo, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, quando nossa reportagem questionou se AJ Vilela pagou alguma quantia das centenas de milhões de reais que já recebeu em multas.

Modus Operandi: Tiro, Porrada e Lucro

Durante toda a nossa viagem, ouvimos relatos sobre a violência empregada por AJ Vilela e seus jagunços. Uma grande variedade de pessoas se queixou, de famílias camponesas a grileiros menores. Em comum, todos denunciaram despejos violentos aos quais foram submetidos pelo pecuarista.

Um trabalhador rural que, por razões de segurança, quis permanecer anônimo, narrou que “quem trabalhava ali [em uma porção grilada pela quadrilha] saiu tirado na força bruta. Foi os Vilela, tirando eles na bala”. Segundo ele, os Vilela ocuparam uma faixa de 35 km: “Quem entrava aqui, morria. Por isso, o pessoal tem muito medo dos Vilela ainda. Quando fala o nome deles, arrepia, treme. Porque são bárbaros”.

Uma narrativa que se repete no histórico de Jotinha. Ele já é réu em processo por tentativa de homicídio, arquivado por falta de provas, e que pode ser reaberto a partir de novas informações obtidas na Operação Rios Voadores. Jotinha e seus supostos jagunços são acusados de terem armado emboscada e atirado contra a trabalhadora rural sem-terra Dezuíta Assis Ribeiro Chagas, que participava de ocupação em terras vizinhas a uma das fazendas da família Vilela no Pontal do Paranapanema (SP).

Notícias divulgadas pela imprensa indicam que “a Polícia Federal, enquanto apurava o esquema em Castelo de Sonhos, no Pará, gravou uma conversa em que o advogado de AJ Vilela manda que ele sumisse com as armas do crime”:

Advogado: Que pode sair uma temporária em cima deles [jagunços de AJ Vilela], ou até mesmo uma prisão em flagrante deles.

AJ Vilela: Tá bom.

Advogado: E as ferramentas você some com elas de lá.

[Nota do editor: Para a Polícia Federal, ferramentas é como se referem às armas.]

Pecuaristas jetsetters e seus escravos na Amazônia

Além das denúncias de grilagem de terras e desmatamento, AJ Vilela e seu cunhado, Ricardo Caldeira Viacava, também foram denunciados pelos crimes de trabalho escravo e frustração de direito trabalhista.

Veja mmatéria completa aqui

Curta nossa página no Facebook

Designed by ABCMIX Joomla Site Designer - 2015